Morte/Vida – O Óbvio

Certeza e medo ao confrontá-la.

Um assunto ainda temeroso para muitos, mas falar sobre a morte e conscientizar-se do morrer, muda a vida e, muda a morte.

Em nossa sociedade de consumo, os valores inconsistentes alimentam a ideia de onipotência e ausência de limites, valores incompatíveis com a fragilidade da vida.  Alguns valores importantes como humildade e solidariedade foram perdidos para evolução capitalista e são reencontrados quando face-à-face com a morte.

O tema em questão é suculento para a filosofia, pois é a morada da angústia humana, e na angústia o homem experimenta o limite da sua existência. Confrontar o óbvio – vamos morrer, mas ninguém sabe quando.

Tanto para o jovem como para o velho, a filosofia é muito útil. Para quem envelhece, rejuvenesce recordando o que já passou e ao jovem, o poder de envelhecer sem medo do por vir. Há pessoas que pensam nisso com freqüência e extraem uma maneira positiva para realizar o presente, e outros que só de pensar no morrer paralisam-se de medo.

A temporalidade é uma ilusão e dela são os três grandes temas da existência – presente, passado e futuro. Não podemos reativar o passado, antever o futuro, só realmente podemos  nos dedicar ao presente, tirando dele o máximo  e compreendendo o passado – você é o que você faz de você mesmo (Sartre).

Viver pode ser considerado como uma contagem regressiva, mas ao invés de contar os dias que passaram, o ideal é pensar nos dias que restam, sem deixar para ser feliz no dia seguinte. Não há nada de errado na vida de quem pensa que não há nada de errado em deixar de viver.

Discutir esses assuntos para muitos é como mergulhar na loucura, porém é encontrar-se com o óbvio, o que causa uma angústia absoluta. A tendência do ser humano é a complexidade, como uma maneira de desviar das coisas que realmente importam. A maioria das pessoas foge da morte como um grande mal e em outras ocasiões a desejam como descanso dos males da vida.

A  imprevisibilidade do próprio comportamento é o retrato da angústia do ser humano. O não saber o que vem depois, tira a propriedade de controle, mas a certeza de encará-lo de uma forma ou de outra.

Mudar o foco de atenção, quebrando os tabus em relação ao conceito da morte para dar maior valor a vida. Viver com paixão e intensidade é o objetivo maior dessa reflexão.

Andrea G. Umbuzeiro

By | 2016-08-09T17:34:52-06:00 junho 28th, 2016|Artigos|Comentários desativados em Morte/Vida – O Óbvio