O valor do Autodidata

Por Fabricio Spagnuolo

Enquanto a tecnologia não permitir que instalemos bancos de dados interligados ao nosso cérebro e sistema nervoso, um autodidata leva grande vantagem em qualquer área da vida.

Normalmente considera-se um autodidata a pessoa que tem a capacidade de aprender qualquer conteúdo por conta própria através de sua disciplina, curiosidade superlativa, o incontrolável gosto pelo tema, a necessidade em ampliar conhecimentos, a dedicação em fazer mais do que o supostamente necessário, a consciência da responsabilidade pelos seus resultados, o trabalho incansável e um interesse sem fim em conhecer assuntos que estão à margem de seu tema de interesse principal.

Entendo que realmente estas são as características visíveis e apreciáveis em quem possui esta habilidade. Destarte, recorrendo à Programação Neurolinguística, que estuda a estrutura da experiência subjetiva (todo comportamento tem uma estrutura), podemos aprender a ser um autodidata. Para que eu obtenha resultados iguais ou semelhantes a quem tem esta habilidade, tenho que compreender a estrutura do conjunto de comportamentos deste e… segui-las.

Certamente obterá resultados melhores do que os atuais, uma vez que irá assimilar comportamentos que produzem resultados e que, compreendidos, passam a fazer parte do repertório de soluções que terá à disposição em qualquer processo de aprendizagem.

E então vem a pergunta: Porque não somos todos autodidatas, uma vez que seus hábitos já são conhecidos e estudados? A situação é um tanto irônica, uma vez que para ser autodidata tenho que ser ensinado por alguém, pois ainda não possuo a capacidade de fazer isto sozinho. Esta ironia contém a explicação de tudo!

Quer aprender a ser um autodidata? Não tenha receio. Existem na internet uma vastidão de artigos, matérias e “receitas de bolo” sobre o assunto, algumas destacando claramente os hábitos para desenvolver a habilidade ou dicas para melhorá-la.

Não ignore estes recursos, mas primeiro quero ater-me a distinguir o autodidata treinado – o que desenvolveu esta habilidade e utiliza grande quantidade de energia e disciplina consciente para exercê-la – e o autodidata natural. Receio ser importante dizer que autodidata não é a pessoa que aprende algum assunto assistindo a vídeos na internet. Isso seria um desrespeito à capacidade deles.

Autodidatas naturais tem uma autoconfiança tão sólida que os faz sentir prazer em desafios. Se existe a informação, eles farão qualquer esforço para compreendê-la e ir além, pois raramente estarão satisfeitos com o que já se conhece. Eles gozam de um liberdade ímpar pela quase ausência de expectativas alheias – apenas as suas -, explorando percepções pouco óbvias para um acadêmico convencional. Quer um exemplo bem claro? Jimmy Hendrix, um dos mais cultuados guitarristas da história nunca teve aulas de música ou guitarra. Comprou uma, aprendeu a afinar e saiu experimentando os sons, determinado a aprender a usar o instrumento. Para ele os acordes não tinham nome, mas informações! Sabe o que ele fazia antes? Era paraquedista do exército americano. Quebrou o tornozelo e teve que abandonar a carreira.

Autodidatas, quando encontram dificuldades, não esmorecem, mas sim, colocam mais energia no “sistema” e procuram sanar as deficiências a todo custo. Buscam soluções e não culpados e seus motivos. Dificuldades são erros de cálculo que são corrigidos imediatamente.

Eles usam boa parte do tempo planejando a melhor forma de absorver um conteúdo e colocam seu plano de estudo em prática, reavaliando-o e revisando-o quando necessário. Ele mensura sua curva de aprendizado e sabe quando pode avançar ou quando deve revisar um conteúdo.

Eles gostam de lazer, descanso e boa alimentação e reservam tempo para isso, pois sabem que qualquer máquina precisa de energia e com seu corpo, não é diferente. Estudam qualquer ramo do conhecimento com o mesmo empenho.

Portanto, se você não tem a autoconfiança de um autodidata, terá que desenvolver esta habilidade – e várias outras -, conhecendo melhor a si mesmo. Sem ela, vários hábitos complexos que um autodidata possui sem fazer esforço serão gigantescas muralhas a transpor. Você precisará contar com a ajuda de profissionais de Desenvolvimento Humano para desenhar o melhor caminho para você.

O conhecimento, para ele, é como uma doença que corrói por dentro até que ele compreenda o que quer aprender. Involuntariamente, a disciplina e todas as características já descritas no início deste texto são espontâneas e exercidas sem qualquer esforço; sem que ele mesmo as perceba.

Não tem essa curiosidade doentia? Então será bem mais trabalhoso. Adicione 5 pontos – de 100 – no quesito “dificuldade”. És indisciplinado quanto a horários? mais 20 pontos. Não se identifica com o assunto que quer aprender e isso o incomoda? Pões mais 5 pontos. Costuma responsabilizar o professor pelo aprendizado deficitário? Não estabelece prazos e quando o faz, não os cumpre? Não gosta de ler? Se contenta com apenas duas fontes de informação?

Pelas minhas contas, se lhe faltam as habilidades descritas, sua pontuação pode até mesmo chegar a 3 dígitos. Melhor desenvolvê-las ou aguardar que a tecnologia seja capaz de expandir nossos cérebros.

E se depois de aprender a ser um, você se achar o ser mais espetacular do Cosmos, lembre-se de que dificilmente terá – se já não a possui – sua mais brilhante capacidade: a de saber aplicar o conhecimento de forma útil e absurdamente prática e simples, como fazia Albert Einstein, um dos mais famosos autodidatas. Creio que por saber exatamente o motivo de estarem aprendendo algo. Eles têm propósitos!

By | 2019-04-03T20:13:27-06:00 março 31st, 2019|Artigos|0 Comments