Por que procuramos a aprovação alheia?

Por Fabricio Spagnuolo

 

Eu poderia terminar este texto com no máximo um parágrafo, dizendo que sou independente, dono de meus atos e pensamentos, autêntico e, portanto, não faço ideia do motivo das pessoas procurarem aprovação alheia em seus processos decisórios. Sou impelido a encerrar o assunto assim, impiedoso e ligeiro como as emoções. Mas eu não estaria sendo totalmente honesto. Explicar os motivos de nossos comportamentos nem sempre explicáveis, consome muita energia e trata de assuntos que nem sempre queremos expor.

Quando criança, não sabemos dizer por que queremos algo. Simplesmente temos um desejo e procuramos satisfazê-lo a qualquer custo. Não nos preocupamos com a conveniência do momento ou se vai até atrapalhar algo. Já adolescentes, as regras de convívio ficam estabelecidas ainda que sem uma explicação formal ou sentido para a maturidade da idade.

O primeiro motivo, então, entendo que é a necessidade de ter um comportamento aceitável pela maioria dos grupos em que a pessoa convive. Parece repressor – e em vários aspectos o é – mas vale lembrar que envolve comportamentos de origem cultural e, muitas vezes, irrefletidos. Apenas a repetição de costumes e hábitos passados por gerações. Quem os recusa, naturalmente sofre censura, mesmo que inconsequente.

 

“Se um indivíduo abandona a sua distintividade num grupo e permite que seus membros o influenciem por sugestão, isso nos dá a impressão de que o faz por sentir necessidade de estar em harmonia com eles, de preferência a estar em oposição a eles, de maneira que, afinal de contas, talvez o faça ‘em consideração a eles’”.

Sigmund Freud, “Psicologia de grupo e análise do ego”, de 1921

 

Se perdemos autenticidade quando nos comportamos para atender a outros, isso me parece evidente. Sentir-se amado e aceito é uma de nossas necessidades básicas; mas devemos estabelecer claramente até qual ponto submetemos nossa individualidade às adaptações de comportamento impostas socialmente de forma a não atingir nossa dignidade. Como estabelecer este limite? Dependerá bastante de quanto esse comportamento o afetará caso seja contrário à sua natureza ou valores.

Nem sempre a afirmação “Ninguém me conhece melhor do que eu” é verdadeira. Já uma outra, escrita no Templo de Apolo e Delfos, na Grécia, carrega um conhecimento quase divino: “Conhece-te a ti mesmo”. Mas não é possível conhecer a si mesmo sem reconhecer a própria ignorância. Reconhecê-la para extirpá-la de nós através do conhecimento sobre nós mesmos.

Se somos resultantes de paradigmas impostos, já estamos impregnados de comportamentos e crenças que não são nossos. O conhecimento sobre nós mesmos nos traz sabedoria; sabedoria para ter autonomia e fazer as melhores escolhas. Afinal, os resultados de nossas escolhas afetam direta e principalmente a nós mesmos.

Conhecendo-se pouco, naturalmente há insegurança, pois não compreende exatamente como os acontecimentos o afetam; se tem autoestima deficiente, não terá energia suficiente para ser autêntico. Se esse comportamento se torna patológico, leva a pessoa a ter suas decisões amparadas sempre nas perspectivas externas a seu sentir e pensar. Talvez acreditando que os outros, mais experientes, inteligentes ou outra suposta qualidade, devam saber o que é melhor para você.

Conhecer a si mesmo nem sempre é um caminho suave. Podemos não gostar, inicialmente, de algumas características ou até mesmo habilidades nossas ou particularidades de nossa história pessoal. Desta forma, requer a responsabilidade de encarar o mundo sem fantasias.

SER é um estado constante. ESTAR é apenas um momento passageiro, adaptando-se ao ambiente. Quando se diz “a resposta está dentro de você” não significa que você só precisa pensar e encontrar uma resposta. Significa que, conhecendo a si mesmo profundamente, todas as suas ações e comportamentos estarão em harmonia e coesão com o teu SER, afastando o inútil e impedindo que você atrase a tua viagem, carregando bagagens de outros.

Pode parecer que me afastei do tema, mas não. Estou indo diretamente ao âmago da questão: se necessito aprovação de outros em questões pessoais vitais, seja por ser inseguro, ter desequilíbrios na autoestima, ambas juntas ou qualquer outro motivo, este motivo será completamente eliminado na proporção de sua disposição e disciplina em conhecer a si mesmo. Compreendendo como nosso comportamento é construído, fica clara a saída desse labirinto. Querer sair dele é uma escolha e para isso é preciso se posicionar; ao menos consigo mesmo, comprometendo-se a ter disciplina e partir nessa imprevisível aventura que é viajar para dentro de si. É lá que você irá encontrar todas as respostas. E se lá elas não estiverem, procure novamente. Elas nunca estarão fora de você.

 

A Engenharia do Ser tem a capacidade de conduzi-lo nessa viagem. Seja através de Terapia, Constelação Familiar, Workshops, Palestras, Grupos de Estudo e Retiros para Estudos Dedicados.

By | 2019-09-13T16:53:40-06:00 setembro 13th, 2019|Sem categoria|Comentários desativados em Por que procuramos a aprovação alheia?